O protagonista bocó

Tenho notado uma tendência em protagonistas de Visual Novels: O protagonista sem muita iniciativa.

O título desse post é meio incendiário, cabe aqui uma correção. Noto ligeiras variações no protagonista de VNs: Homem supostamente no controle mas que obedece ou é guiado por mulheres na história.

Acho que isso aconteça em parte por conta das convencões do gênero Visual Novel. O jogador assume a perspectiva do protagonista de modo que a construção de mundo e a ambientação acontecem sob esse ponto de vista. Como o jogador está conhecendo o mundo do jogo e ele tem um avatar no mundo do jogo faz sentido criar um protagonista que precise aprender sobre as regras, o mundo e as personagens – tal qual o jogador. Assim o protagonista é um novato (Ace Attorney), um recém-chegado (Katawa Shoujo), alguém que não conhece ou não lembra do mundo do jogo (The House in Fata Morgana) ou alguém recém inserido numa situação fora do comum (Tsukihime). O leitor-jogador aprende junto com o protagonista.

Esse tipo de personagem recebe muuuuuuuuuuuuuuuuuuita exposição e direcionamento de outras personagens. Parece até que ele não tem muita agência, que é mera testemunha da história e não um agente ativo. Me parece comum a figura de um mentor que ajuda o protagonista em momentos cruciais e oferece uma ótima oportunidade para os devs comunicarem as mecânicas do jogo ao jogador.

Além disso, VNs são um gênero que apresenta muito texto para o jogador e é aceitável passar as primeiras horas do jogo em interações expositivas. Se o jogo tem 30 horas, duas horinhas de exposição é aceitável.

A meu ver, tudo isso contribui para a criação de protagonistas sem muita iniciativa – pelo menos no início das obras.