Katawa Shoujo
Este post contém spoilers de Katawa Shoujo.
Spoilers moderados de Katawa Shoujo.
Ano passado eu me interessei por Visual Novels e uma das obras mais acessíveis e influentes que encontrei foi Katawa Shoujo, o dating sim de meninas deficientes. Esta foi a primeira Visual Novel que li por indicação de um amigo.
KS foi desenvolvido por usuários do 4chan, o forum de discussões e image board famoso pela comunidade de trolls. O jogo foi um dos primeiros a popularizar Visual Novels – e dating sims em particular – no ocidente. Ele traz todos os clichês do gênero: a história acontece numa escola e o protagonista é um aluno do ensino médio; todas as pessoas parecem interessadas no protagonista; as moças que o jogador pode tentar conquistar seguem clichês do gênero(a flor frágil, a enérgica e sempre de bom humor, a líder destemida, a melancólica fechada para o mundo, a artista esquisita).
Lembro da minha frustração ao descobrir que dentre todas as moças da história a que mais me interessou e a que prometia uma história mais madura – madura não no sentido de pornográfica, mas de temas mais maduros como conhecer gente e guardar dinheiro durante os estudos na universidade – não tinha uma rota. O jogo te obriga a conquistar o coração de uma aluna (menor de idade) enquanto não te dáopção de se aproximar da bibliotecária tímida e desastrada que trabalha num café para ganhar um dinheiro extra, que tem obrigações de adulto responsável e ainda por cima está na faculdade.

É compreensível que Yuuko não possua uma rota própria afinal o nome do jogo já dá a entender do que ele se trata. Katawa Shoujo pode ser traduzido como “garotas imperfeitas”, “garotas aleijadas”, ou ainda “garotas com defeito”. Yuuko, como ficou evidente, não possui defeitos, logo não é uma das garotas “com defeito” que podem ser conquistadas. O título em si – ao que parece – é uma expressão bastante rude e grosseira em japonês, não use-a em público.
Num gênero de histórias que giram em torno das preferências e das escolhas do jogador, decidir por um caminho impossível de seguir é bastante frustrante e gera uma desconexão com o a obra. O atrito seria o suficiente para um jogador abandonar a obra. Como eu queria conhecer Visual Novels, mesmo à contragosto eu continuei jogando.
Concluí a rota de Emi Ibarazaki (a velocista de pernas amputadas), depois a de Rin Tezuka (a artista sem braços) e Hanako Ikezawa (a garota com o corpo queimado e propensa a ataques de pânico). Fiz o bad ending algumas vezes sem querer.
Um outro personagem bastante interessante é Kenji, um jovem estudante retratado como paranóico e ezquizóide que nota a quantidade anormal de garotas bonitas naquela instituição e a ínfima quantidade de garotos. Ele nota isso e propõe ao jogador uma aliança pró-masculina, o protagonista concorda e não pensa muito a respeito. Ah, Kenji é o primeiro personagem que vemos nu – embora com censura. Kenji quebra a quarta parede de maneira não-intencional, ele não nota o jogador, mas nota o protagonista que o jogador controla.
Quando o protagonista está relativamente avançado numa rota e faz algumas escolhas erradas, Kenji causa uma situação e acaba matando o protagonista por acreditar que ele se aliara às mulheres e sendo um traidor da causa masculinista, merece a morte.
Encerramento
Katawa Shoujo é um marco nas Visual Novels ocidentais e por isso qualquer pessoa interessada em Visual Novels deveria lê-la. A obra está disponibilizada gratuitamente no site oficial e na Steam, também de graça. A versão da Steam NÃO possui conteúdo pornográfico, tem sistema de achievements e sincronização de saves na nuvem.
O site de Katawa Shoujo possui material pornográfico. Recomendo baixar o jogo na Steam.
