THFM e o Portugrês
Segundo o criador de THFM, Hanada Keika, a interprete das músicas – tetem. (Gao) – teria estudado no Brasil, o que a fez amar a cultura brasileira e o nosso idioma.
Fico feliz de saber que alguém que não é nativo aprecia nosso idioma. Entretanto… os versos são um tanto… livres.
No Japão há o conceito de “Engrish”, que expressa a noção de inglês quebrado, meio improvisado, comum no dia-a-dia japonês. Há também a idéia de Inglês decorativo, que embora não faça sentido não tem como objetivo comunicar algo via texto, o objetivo é parecer cool, moderno, ou premium.
Acho que no caso de THFM o Português seja usado como decoração. As letras fazem algum sentido, mas gramaticalmetne e semânticamente os versos são completamente quebrados. Chamo esse Português decorativo quebrado de Portugrês.
Não encontrei detalhes sobre motivações temáticas por trás da escolha da Língua Portuguesa como idioma das trilhas do jogo. Imagino que, aos ouvidos de não-falantes, Português soe como uma língua misteriosa pois lembra inúmeras outras: espanhol, latin, romeno, russo, francês, árabe. É familiar o suficiente para você achar que está entendendo, mas diferente de tudo o que você conhece. Além disso a língua portuguesa tem uma cadência bastante agradável e permite nuances no texto. Isso está perfeitamente alinhado com a ambientação do jogo: um ambiente familiar, mas estranho, onde as coisas não são o que parecem.
Infelizmente, para os lusófonos, é possível compreender as palavras soltas nos versos. E isso causa algum desconforto.
Eu juro que não sou o único que sentiu desconforto com as letras gramaticalmente incorretas. E posso provar! – no próximo post.
